19 de fevereiro de 2013 •

Vi Por Ai ~ Lançamento Novo Conceito - Lições de Vida

Oie gente!

Está na hora de conhecer os lançamentos de fevereiro da Editora Novo Conceito!!
Como esses vieram com trechos disponíveis, vou fazer um post para cada um dos lançamentos, assim dá para pegar o máximo de informações sobre os livros ok?

O primeiro da lista é o livro Lições de Vida.

Autor: Anne Tyler
Titulo: Lições de Vida
Editora: NOVO CONCEITO 
Ano: 2013
Edição: 1
Número de páginas: 368
Tema: Romance
Lançamento: 25/02/2013
Sinopse: Maggie Moran e seu marido são comuns, até um pouco tediosos. E é esse realismo que torna esta história tão eficaz e comovente...

Começa em um dia de verão, quando Maggie e Ira viajam de Baltimore para a Pensilvânia para um funeral. Maggie é impetuosa, desastrada, desajeitada, propensa a acidentes e tagarela. Ira é reservado, preciso, respeitável, tem uma mania irritante de assobiar músicas que traem seus pensamentos mais profundos e acha que sua esposa transforma os fatos de maneira que se encaixem na sua opinião sobre as pessoas que ama. Ambos sentem que seus filhos são estranhos, que a cultura das novas gerações está indo por água abaixo e que, de alguma forma, se enganaram com essa sociedade cujos valores não reconhecem mais. Mas esta viagem vai levá-los a refletir sobre estas angústias, e vai mostrá-los como é importante reavaliar seus sentimentos.


Sobre a autora




Anne Tyler nasceu em 1941, em Minneapolis, Minnesota (EUA), e cresceu em Raleigh, Carolina do Norte. Lições de Vida, seu 11º romance, ganhou o Pulitzer Prize. Membro da Academia Americana de Artes e Instituto, ela mora em Baltimore, Maryland.















Trecho do livro


Maggie e Ira Moran tinham que ir a um funeral em Deer Lick, Pensilvânia. Uma velha amiga de Maggie havia perdido o marido. Deer Lick ficava numa estrada rural estreita a cerca de 150 quilômetros ao 
norte de Baltimore e o funeral fora marcado para as dez e meia da manhã de sábado, então Ira calculou que eles deveriam sair de casa às oito. Isso o deixou irritado (ele não era do tipo que gosta de acordar cedo). Além disso, o sábado era seu dia mais atribulado no trabalho e não havia ninguém para substituí‑lo. Para completar, o carro estava no funileiro. Ele precisava de grandes reparos e somente no sábado de manhã, quando a funilaria abrisse, exatamente às oito, eles consegui‑riam pegá‑lo. Ira disse que talvez fosse melhor não ir ao funeral, mas Maggie afirmou que eles tinham que ir. Ela e Serena haviam sido amigas a vida toda. Ou quase a vida toda: 42 anos, que começaram na classe de primeiro ano da Srta. Kimmel.
Eles tinham planejado acordar às sete, mas Maggie devia ter programado o despertador para o horário errado e eles acordaram tarde. 
Tiveram que se vestir às pressas e engolir o café da manhã, fazendo café com a água quente da torneira e comendo cereal frio. Em seguida, Ira caminhou até a loja para deixar um bilhete para seus clientes e Maggie foi até a funilaria. Ela estava usando seu melhor vestido — preto e branco com estampa floral e mangas morcego — e sapatos pretos de salto, por causa do funeral. Os saltos eram de tamanho médio, mas atrasavam seu caminhar mesmo assim; ela estava mais acostumada aos solados de crepe. Outro problema era que os fundilhos de sua meia‑calça haviam, de alguma maneira, escorregado até a metade de suas coxas, então ela tinha que dar passos diminutos e forçados, como um brinquedinho de corda troncudo rodando pela calçada. 
Por sorte, a funilaria ficava somente a alguns quarteirões de distância (nesta parte da cidade as coisas eram misturadas — pequenas casas de madeira como a deles em meio a estúdios fotográficos, cabeleireiros, autoescolas e clínicas pediátricas). E o tempo estava perfeito — um dia quente e ensolarado de setembro, com brisa suficiente para refrescar o rosto. Ela assentou sua franja num ponto em que parecia querer virar um cacho solto. Levava sua bolsa de festa debaixo do braço. Virou à esquerda na esquina e lá estava a oficina Harbor Body and Fender, com as portas verdes descascadas já suspensas e aquele cavernoso interior com um cheiro cortante de tinta que a fazia lembrar‑se de esmalte de unhas.
Já viera com o cheque pronto e o gerente disse que as chaves estavam no carro, então ela demorou muito pouco lá dentro. O carro, um velho Dodge cinza‑azulado, estava estacionado nos fundos da oficina. 
Fazia anos que ele não parecia tão bonito. Eles arrumaram o para‑choque, trocaram a tampa deformada do porta‑malas, retiraram meia dúzia de amassados aqui e ali e cobriram os pontos de ferrugem nas portas. Ira tinha razão: não havia necessidade de comprar um carro novo. Ela sentou‑se à direção. Quando ligou a ignição, o rádio começou a funcionar — era o programa de Mel Spruce, AM Baltimore, que recebia ligações dos ouvintes. Ela deixou o rádio ligado por enquanto. Ajustou o banco, que havia sido colocado para trás por alguém mais alto, e puxou o espelho retrovisor um pouco para baixo. Seu próprio rosto apareceu nele, redondo e ligeiramente brilhante, e seus olhos azuis se espremeram nos cantos como se ela estivesse preocupada com alguma coisa, quando na verdade estava somente se esforçando para enxergar na penumbra. Ela engatou a marcha e deslizou vagarosamente na direção da frente da oficina, onde o gerente franzia a testa para uma prancheta diante de seu escritório. 
A pergunta de hoje no AM Baltimore era: “O que faz um casamento ideal?”. Uma mulher estava telefonando para dizer que eram os interesses comuns. “Como os dois assistirem ao mesmo tipo de programa na TV” ela explicou. Maggie não dava a mínima para o que fazia um casamento ideal (ela estava casada havia 28 anos). Abriu a janela e gritou:
— Eu já vou!
O gerente levantou os olhos da prancheta. Ela passou por ele — uma mulher resolvida e, pelo menos desta vez, usando batom, sapatos de salto e dirigindo um carro sem arranhões. 
Uma voz suave rádio disse: “Bem, eu vou me casar novamente. A primeira vez foi por amor. Foi por amor verdadeiro e não deu certo. No próximo sábado, vou me casar para ter segurança”.
Maggie olhou para o mostrador do rádio e disse:
— Fiona?
Ela quis brecar, mas acabou acelerando e disparou para a rua. Um caminhão da Pepsi que vinha da esquerda bateu em seu para‑lama dianteiro — o único lugar que nunca, até agora, sofrera algum dano.
No passado, quando Maggie jogava beisebol com seus irmãos, ela costumava se machucar, mas dizia que estava tudo bem, por medo de que eles a fizessem abandonar o jogo. Ela se empertigava e corria sem 
mancar, mesmo que seu joelho a estivesse matando de dor. Ela se recordou disso quando o gerente veio correndo e gritando:
— O que foi? A senhora está bem?
Ela olhou para a frente de maneira digna e disse‑lhe:
— Mas é claro. Por que pergunta? — E arrancou antes que o motorista do caminhão de Pepsi pudesse sair da cabine, o que provavelmente foi melhor, considerando a expressão no rosto dele. Mas acontece que seu 
para‑lama começou a fazer um ruído irritante, parecido com um pedaço de lata arranhando o asfalto, então, assim que ela virou a esquina e os dois homens — um coçando a cabeça e o outro balançando os braços 
— desapareceram de seu espelho retrovisor, ela parou o carro. Fiona não estava mais no rádio. Em vez dela, uma mulher com voz áspera de tenor estava comparando seus cinco maridos. Maggie desligou o motor e saiu. Ela viu o que causava o barulho. O para‑lama estava virado para dentro, de modo que o pneu raspava nele; ela ficou surpresa que a roda ainda conseguisse rodar. Agachou‑se na guia, agarrou a borda do para‑lama com as duas mãos e puxou (lembrou‑se de ter se acocorado bem baixo em meio à vegetação alta do campo externo e, sorrateiramente, contraindo‑se, tirar o brim de sua calça de cima da mancha de sangue em seu joelho). Flocos de tinta cinza‑azulada caíram em seu colo. Alguém passou na calçada por trás dela, mas ela fingiu não notar e puxou novamente. Desta vez o para‑lama se mexeu; não muito, mas o suficiente para não tocar no pneu, e ela levantou‑se e sacudiu a poeira das mãos. Depois, entrou no carro e deixou‑se ficar lá sentada por um minuto.
— Fiona! — ela disse novamente. Quando ligou o motor, o rádio anunciava empréstimos bancários e ela o desligou.
Ira esperava na frente da loja, diferente e estranhamente galante em seu terno azul‑marinho. Um chumaço de cabelo preto todo grudado e com fios grisalhos se pendurava sobre sua testa. Acima dele, uma placa de 
metal balançava com a brisa: 
LOJA DE MOLDURAS DO SAM. 
EMOLDURAMOS FOTOGRAFIAS. FAZEMOS MONTAGENS. 
EXIBA SEU BORDADO DE MODO PROFISSIONAL. 
Sam era o pai de Ira, que não tinha nada a ver com o ramo até que seu coração ficara “fraco”, 30 anos atrás. Maggie sempre colocava a palavra “fraco” entre aspas. Ela fez questão de ignorar as janelas do apartamento que ficava acima da loja, onde Sam amargava seus dias vazios cheio de câimbras e rabugice junto às duas irmãs de Ira. Ele, provavelmente, devia estar observando tudo. Ela encostou o carro e passou para o banco do passageiro.
A expressão de Ira ao analisar o carro daria um estudo. Começando com agrado e aprovação, ele deu a volta no capô e estacou ao se deparar com o para‑lama esquerdo. Seu rosto comprido e ossudo ficou ainda 
mais comprido. Seus olhos, já tão apertados que não dava para dizer se eram pretos ou simplesmente castanho‑escuros, viraram ranhuras perplexas que olhavam para baixo. Ele abriu a porta, entrou e lançou‑lhe 
um olhar pesaroso.
— Aconteceu um imprevisto — Maggie disse.
— No caminho daqui para a funilaria?
— Eu ouvi a Fiona no rádio.
— São cinco quadras! Só cinco quadras.
— Ira, a Fiona vai se casar.
Ele parou de pensar no carro e ela ficou aliviada. Algo se dissipou de sua expressão. Ele encarou‑a por um instante e disse:
— Que Fiona?
— Fiona, sua nora, Ira. Quantas Fionas nós conhecemos? Fiona, a mãe da sua única neta, e agora ela vai se casar com um completo estranho só para ter segurança.
Ira deslizou o banco para trás e afastou o carro da guia. Ele parecia estar tentando ouvir alguma coisa — talvez o ruído da roda raspando. 
Mas, evidentemente, o puxão que ela dera no para‑lama resolvera a questão. Ele disse:
— Onde você soube disso?
— No rádio, enquanto eu dirigia.
— Eles anunciaram isso no rádio?
— Ela ligou para a emissora.
— Parece meio... arrogante, sinceramente — disse Ira.
— Não, ela só estava... ela disse que o Jesse foi o único cara que ela amou de verdade.
— Ela disse isso no rádio?
— Era um programa desses em que os ouvintes participam, Ira.
— Ora essa, eu não sei por que todo mundo tem que sair por aí se expondo em público hoje em dia — disse Ira.
— Você acha que o Jesse pode ter ouvido? — perguntou Maggie. Ela acabara de pensar nisso.
— O Jesse? A esta hora? Se ele se levantar ao meio‑dia, já é bom sinal.
Maggie não discutiu, mas poderia. A verdade era que Jesse acordava cedo porque, afinal, trabalhava aos sábados. O que Ira queria dizer é que Jesse era preguiçoso. (Ira era muito mais severo com o filho do que 
Maggie. Ira não via tantas qualidades nele.) Ela olhou para a frente e viu as lojas e casas passando, os poucos pedestres passeando com seus cães. O verão tinha sido dos mais secos de que ela se lembrava e as calçadas estavam opacas. O ar estava pesado. Um menino diante da mercearia Poor Man’s tirava cuidadosamente o pó dos aros de sua bicicleta com um pano.


E ai, gostaram?
Eu acho que esse vai ser um daqueles livros que nos levam a refletir sobre nós mesmos, e estou ansiosa para ler!!
E vocês?
Espero que tenham gostado!
Beijos

1 comentários:

Francielle Lima disse...

Não gostei tanto da capa, mas como você disse, o livro parece ser daqueles que refletimos sobre nós.


Fran -
Post it and Scrapbook.

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